A senhora na ciclovia da Sumaré

Da série “coisas legais que você só percebe andando de bicicleta”:

Há mais ou menos um mês, alterei o caminho que venho utilizando para ir ao trabalho de bike. Deixei de lado a pressa e estou subindo a Av. Sumaré pela “ciclovia” que existe no canteiro central.

“Ciclovia”, entre aspas, pois, apesar de existir algumas placas sinalizando o canteiro central como ciclovia, a presença de pedestres é grande. Passei, então, a desenvolver o cuidado de reduzir e dar distância dos pedestres.

Logo nos primeiros dias desse trajeto eu encontrei uma senhora que apresenta uma séria dificuldade de locomoção. Ela anda cambaleando, tem a passada extremamente lenta, desequilibrada mesmo. É realmente nítida a dificuldade no seu caminhar.

Sempre que a vejo reduzo muito, já cheguei até a desmontar da bicicleta, para ultrapassar com mais segurança. 

Dia desses demos “bom dia”, um para o outro, cumprimento seguido de sorrisos por ambas as partes.

O que me impressiona nessa senhora é que, mesmo com grandes dificuldades, ela sobe a Sumaré inteira, TODO DIA.

Às vezes encontro ela no começo da “ciclovia”, às vezes no meio e às vezes no final, dependo do horário que estou passando ali. Mas pude perceber que todo dia ela encara as próprias dificuldades e segue no seu caminhar, ladeira acima, vencendo diariamente as suas “limitações”.

Ela sempre me faz pensar nas vezes que, mesmo sem qualquer problema de locomoção, tive preguiça de caminhar até algum lugar. E também nas pessoas que preferem ir de carro para não ter que andar algumas quadras, as que esperam elevador para subir dois andares. 

Pessoas que, apesar de inicialmente saudáveis, se tornam doentes… 

Dizer que essa senhora é uma deficiente física? Deficiente somos nós! Ela é uma heroína. 

E eu adoro falar “bom dia” para ela, porque ela merece!

-Paulo Lowenthal

Surpreendendo o pessoal no trabalho

Uma das mulheres que trabalham na limpeza me parou no corredor e perguntou:

- Moça, é você que vem de bicicleta?
- Sim, sou eu.

Aí, ela vira para a outra mulher e diz:

- Ontem, ela saiu pedalando toda bonitinha, cheia de luzinhas na bicicleta.

E depois, para mim de novo:

- E você mora longe?
- Não, são uns 7,5 km.
- Dá mais do que 20 minutos?
- Vou devagar na subida, levo uns 35.
- Nossa, é longe! Parabéns, viu?

-Michele Mamede

Incentivo

Eu, minha Dahon e as últimas experiências que ela ainda me proporciona. Hoje no elevador uma senhora de 50 e poucos anos:

- Bom dia, vai dar uma passeio de bike?
- Não, estou indo pro trabalho!
- Puxa, q legal! Mas você não tem medo?
- Tenho, mas tomo cuidado, acho q o medo é o q me preserva no trânsito!
- Eu gostaria tanto de fazer a mesma coisa, trabalho aqui perto mas não tenho coragem…
- Hoje está mais fácil, temos a ciclovia aqui pertinho, se você quiser posso te acompanhar nos primeiros dias.
- Sério? Você faria isso?
- Sim, faria, pode me interfonar, não estou falando da boca pra fora. Será um prazer!
- É, eu sei que “vocês” incentivam esse tipo de coisa, vou te interfonar sim, muito obrigada, tenha um ótimo dia e bom trabalho!

Dia feliz! :)

-Patricia Iamamoto

Motoristas de ônibus

Tenho sempre o costume de conversar com motoristas de ônibus no farol, pra criar simpatia e garantir que ele me veja.

Dia do ciclista pedalando pela Avenida Domingos de Moraes já tomei uma fina de um ônibus e fui conversar com o motorista. Ele disse que eu era louca, saiu p* da vida comigo! Fiquei chateada, com a sensação de interferência mal realizada…

Voltando mais tarde pela Av. Jabaquara, próximo a um farol um ônibus passa bem rápido próximo a mim e para. Tava parando e ia puxar papo, mas ele já abriu a porta e lançou: “Tô quase descendo do ônibus e indo aí trocar pela sua, porque é muito mais rápido, te vi lá atrás e você já tá aqui na frente comigo!”. Já me desarmou! O que o outro tinha plantado de ignorância, esse plantou de simpatia.

Falei pra ele que rápido tava ele e que tinha me assustado um pouco, mas continuamos a conversa falando de trânsito, da bike e de prudência. No fim, seguimos juntos trocando buzinas por vários quarteirões e com ultrapassagens seguras. Fiquei contente com a reação,  torcendo pra ele reproduzir com outros ciclistas esse comportamento.

Terminei o dia no Museu do Ipiranga com uma criança super curiosa sobre todos os equipamentos da bike, doida pra apertar minha buzina e se divertindo muito. Ainda me ensinou que minha buzina na verdade é uma “coneta” (corneta), o que realmente é porque faz barulho de sorveteiro… rs
E fiquei com aquela sensação boa: bike realmente aproxima as pessoas!

 

-Eloisa Casadei

Preferencial

Estava voltando pra casa do hospital numa terça. Peguei a Avenida Vergueiro, sentido centro, na motofaixa, e já estava começando a chover. Chegando ao farol, um motociclista grita de trás. Pensei, ‘lá vem, de novo’.

Daí ele emparelhou, eu sinalizei pra ele passar, e ele, ‘não, pode ir, bicicleta tem preferência’

-Shadow

Tags: motociclista

Futuro

Estava esperando o farol abrir na Avenida Angélica e logo um motoboy parou do meu lado. Ele ficou olhando para mim e para a bicicleta, mas ignorei. Então, ele inclinou o corpo na minha direção e disparou:

- Esse é o veículo do futuro! Não polui e ainda faz bem para a saúde.

-Michele Mamede

É só respeitar

Sábado à tarde, na Avenida Paulista, estava pedalando na faixa de ônibus, pois estava mais tranquila. Um ônibus que vinha atrás de mim mudou de faixa e me ultrapassou, mas, logo depois, parou no ponto. Passei por ele, porém fui ultrapassada de novo. Novo ponto, a ciclista fica na frente de novo e depois lá vem o ônibus. Em todas as ultrapassagens, ele mudou completamente de faixa e manteve uma distância segura. Quando paramos lado a lado no farol, agradeci:

- Obrigada por mudar de faixa cada vez que você me ultrapassou.

- Isso é o certo, né? Você tem que andar com cuidado e eu também. Tem que respeitar.

-Michele Mamede

Começou mal, mas terminou bem

Numa noite de muita chuva, voltando para casa, estava passando em frente a um dos meus restaurante favoritos quando me assustei com um carro que saía com tudo de um estacionamento. A freada foi tão rápida, que acabei voando por cima da bike. O segurança do restaurante correu na minha direção, me levantou como se eu fosse uma criança e, todo preocupado, perguntava:

- Você está bem, moça? Machucou? Vamos lá para dentro para você sentar um pouco.

Estava pertinho de casa e como não tinha nenhum corte (só ganhei uns hematomas), preferi ir embora. 

Uns dois meses depois, fui jantar lá e aproveitei para agradecer ao Álvaro pela atenção. Disse que o tombo rendeu apenas alguns roxos. Ele lembrou de mim e comentou que sempre me vê passando por ali. Por isso, a partir desse dia, se vejo que ele está na porta, dou um ‘tchauzinho’ e um ‘boa noite, Álvaro’. Ele sempre responde com um sorriso.

-Michele Mamede

Viva!

Domingo, mais de 11h da noite, resolvo tomar uma breja depois de 12 horas de trabalho. Estava com uma amiga subindo a Rui Barbosa, na altura do teatro Sérgio Cardoso. Bem perto vimos um bar simpático e cheio de gente com cara de ‘vidinha de artista’, como diria nossa amiga Roberta. “Vamos tomar uma ali então…”

Atravessamos a avenida e chegamos com nossas bikes, de boa, quando alguns dos frequentadores começaram a comemorar:
 
“VIVA! DOIS CARROS A MENOS!!”
-Leticia Momesso

Um dia, duas histórias

Comecei a pedalar há dois meses por São Paulo. Outro dia pela manhã, indo para minha faculdade, recebi um sinal de positivo de uma ciclista e depois um aceno perguntando: “indo para este lado?” E eu respondo com outro aceno: “não, para este”.

Vejo sempre relatos na rede de amizades seguindo o mesmo caminho até então não tinha recebido nenhum convite, fiquei muito feliz.

***
Já na volta para casa, um cara num carro para no semáforo ao meu lado e começa a falar. Eu não entendo e me aproximo para ouvir. Ele pergunta: “esse freio é hidráulico ou a cabo?” Eu respondo: “é com cabo”. Ele retorna: “Mas freia bem?” Resp. “Freia!” Ele termina: “é tem que frear bem. Essa bicicleta é boa, você deu duas pedaladas e estava correndo rápido”.

Motorista preocupado com o ciclista.

P.S.: não abusei da velocidade, estava “descendo” a R. Artur de Azevedo, em Pinheiros.

-Luiz Gustavo Faccini