A senhora na ciclovia da Sumaré
Da série “coisas legais que você só percebe andando de bicicleta”:
Há mais ou menos um mês, alterei o caminho que venho utilizando para ir ao trabalho de bike. Deixei de lado a pressa e estou subindo a Av. Sumaré pela “ciclovia” que existe no canteiro central.
“Ciclovia”, entre aspas, pois, apesar de existir algumas placas sinalizando o canteiro central como ciclovia, a presença de pedestres é grande. Passei, então, a desenvolver o cuidado de reduzir e dar distância dos pedestres.
Logo nos primeiros dias desse trajeto eu encontrei uma senhora que apresenta uma séria dificuldade de locomoção. Ela anda cambaleando, tem a passada extremamente lenta, desequilibrada mesmo. É realmente nítida a dificuldade no seu caminhar.
Sempre que a vejo reduzo muito, já cheguei até a desmontar da bicicleta, para ultrapassar com mais segurança.
Dia desses demos “bom dia”, um para o outro, cumprimento seguido de sorrisos por ambas as partes.
O que me impressiona nessa senhora é que, mesmo com grandes dificuldades, ela sobe a Sumaré inteira, TODO DIA.
Às vezes encontro ela no começo da “ciclovia”, às vezes no meio e às vezes no final, dependo do horário que estou passando ali. Mas pude perceber que todo dia ela encara as próprias dificuldades e segue no seu caminhar, ladeira acima, vencendo diariamente as suas “limitações”.
Ela sempre me faz pensar nas vezes que, mesmo sem qualquer problema de locomoção, tive preguiça de caminhar até algum lugar. E também nas pessoas que preferem ir de carro para não ter que andar algumas quadras, as que esperam elevador para subir dois andares.
Pessoas que, apesar de inicialmente saudáveis, se tornam doentes…
Dizer que essa senhora é uma deficiente física? Deficiente somos nós! Ela é uma heroína.
E eu adoro falar “bom dia” para ela, porque ela merece!
-Paulo Lowenthal