Saga do ônibus

Resolvi não ir de bicicleta para a faculdade, mas o ônibus estava demorando e
decidi caminhar a pé por um trecho. Andei bastante e cheguei até um ponto de
ônibus em uma rua que cruzava a Av. dos Bandeirantes. Estava no ponto quando passou o ônibus. O sinal do cruzamento era demorado e ao vê-lo aberto, o motorista resolveu esquecer da sua obrigação de parar no ponto e passou direto para poder atravessar pelo semáforo aberto.

Não pensei duas vezes e comecei a correr para pegar o ônibus no próximo ponto. Quase desisti, mas vi que tinha uma mulher subindo de maneira demorada. Continuei a correr e cheguei até o lado do ônibus com a mão esticada para o motorista me esperar. Ele não tomou conhecimento e partiu. Cheguei a bater a mão na lataria para que ele parasse. Em vão.

Fiquei tão bravo que resolvi correr para pegar o ônibus no outro ponto. No meio do próximo cruzamento, já exausto, desisti. Na hora, passou um motoqueiro que provavelmente estava acompanhando a saga e disse:

- Sobe aí!

Subi na garupa e ele acelerou para ultrapassar o ônibus. Ultrapassou e deixou-me dois pontos para frente. Eu agradeci e me senti como se 
tivesse sido salvo por alguém.

Esperei tranquilamente para pegar o mesmo ônibus. Fiquei pensando no que ia falar para o motorista. Não precisei falar nada.

O motorista ficou com uma cara realmente espantada quando me viu subir
as escadas.

— Diogo Geo